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A partir de hoje, sábado dia 9 de Janeiro, pode acompanhar as reportagens de “Road to World Cup” no domínio www.roadtoworldcup.com.pt

Despedimos-nos de Portugal no Parque das Nações e só pararemos em Joanesburgo. Veja todas as peripécias no novo site.

Sábado, dia 9 de Janeiro, partida da equipa Road to World Cup para a África do Sul. Encontro marcado para as 10h, nos relvados da zona norte do Parque das Nações, perto do tabuleiro da Ponte Vasco da Gama. Vamos começar o Mundial em Lisboa, com jogos de futebol com os amigos e leitores que nos têm apoiado. Perto das 12h, o jipe vai arrancar e só parará em Joanesburgo.

O site do jornal Record traz hoje uma pequena notícia sobre a bola oficial do Campeonato do Mundo 2010 – a Adidas Jabulani.O texto vem acompanhado de um pequeno vídeo, onde podemos acompanhar as várias etapas do processo de montagem do esférico. Diz  o site do jornal desportivo que “ao contrário dos moldes anteriores das bolas de futebol Adidas, constituídas por gomos planos, a Jabulani é formada por oito gomos em 3D unidos termicamente…o que garante uma precisão nunca antes alcançada. Com o apoio da Adidas, a Jabulani também partirá connosco no próximo dia 9 de Janeiro, rolando nos campos e nos trilhos africanos.

Aqui fica o vídeo do fabrico da Jabulani.

A equipa deste projecto orgulha-se de anunciar que vai colaborar estreitamente com o diário desportivo Record. Os pormenores dessa união serão divulgados brevemente.

“Road to World Cup” contará ainda com o patrocínio da Galp. Agradecemos à Galp por ter acreditado nos objectivos e na qualidade deste projecto. Os pormenores deste acordo também serão revelados nos próximos dias.

A bola está a começar a rolar…

Vistos e fronteiras

Viajar dentro da Europa tornou-se uma tarefa fácil. Com as fronteiras abertas, um europeu pode ir facilmente por estrada de Lisboa a Praga ou de Atenas a Londres sem passar pelo calvário de preencher formulários intermináveis e de esperar em longas filas aduaneiras. Mas África está fora do espaço Schengen e saltar de um país para o outro pode implicar um grande desafio à paciência nos postos fronteiriços.

Se, em países como o Senegal, Marrocos ou a África do Sul, o passaporte português permite a entrada sem visto, noutros, como a Nigéria ou Angola, o visto é obrigatório e pode demorar algum tempo a ser emitido.

Neste tipo de viagem, é bastante complicado partir com os vistos garantidos. A mobilidade constante e a imprevisibilidade da expedição obriga a que os vistos sejam obtidos ao longo da viagem, nas fronteiras ou nas embaixadas dos países que pretendemos visitar. Assim, nada melhor do que planear a obtenção de vistos com alguma antecipação. Deixamos aqui o planeamento de solicitação de vistos de acordo com o nosso itinerário.

Marrocos

Não é necessário visto

Mauritânia

21 euros em antecedência/17 euros na fronteira com Marrocos

Senegal

Não é necessário visto.

Guiné-Bissau

42 euros. Pedir na embaixada da Guiné-Bissau em Dakar.

Mali

Visto renovável de cinco dias a 22 euros na fronteira. Visto de um mês em qualquer embaixada do Mali.

Burkina Faso

15 euros na fronteira com o Mali. 30 euros na Embaixada do Burkina Faso em  Bamako, Mali.

Costa do Marfim

Pedir previamente na embaixada marfinense do Mali.

Gana

70 euros na embaixada do Gana na Costa do Marfim.

Togo

15 euros na fronteira.

Benin

15 euros na fronteira.

Nigéria

41 a 70 euros, de preferência a obter no país de residência.

Camarões

41 euros, disponível na Embaixada camaronesa em Lagos.

Congo

48 euros na fronteira.

República Democrática do Congo

52 euros na fronteira.

Angola

52 euros. Visto deve ser obtido com antecipação.

Zâmbia

17 euros na fronteira.

Zimbabué

20 euros na fronteira.

Moçambique

13 euros na fronteira.

África do Sul

Não é necessário visto.

Bola com feitiço

Toma atenção, Kahima, no que te vou dizer, porque basta trocar a ordem de um mando para tudo se gorar…Esta noite levas pós para espalhá-los, um poucochinho de cada vez, em todos os cruzamentos do caminho onde passarão os jogadores e a assistência. Vais benzer todas as encruzilhadas!…Em todo o trajecto, tanto na ida como na volta, não deixes que alguém te passe à esquerda. Evita!…Depois daquela nascente de Kibulukutu, em direcção à primeira choça que encontrares, isto é, antes da Baixa de Malombe, enterras esta dibunda. Pega, fecha a mão!…Muita atenção, ouviste?…Quando cantar o primeiro galo tens que estar no campo da bola. E no centro, no lugar da coroa onde se assenta a bola, enterras isso. Pega, fecha a mão!…Depois de enterrares, alisas o lugar, de uma maneira para ninguém desconfiar…Depois desta operação, dá oito voltas ao campo; na nona, passas com este embrulho. Pega, fecha a mão!…Noves vezes entre as pernas…Regressas…Por volta das onze da manhã, portanto, amanhã dia do jogo, trazes-me todos os jogadores que farão parte do desafio…

 

Uanhenga Xitu, Bola com Feitiço, ed. Cotovia pág. 59-60

Todos os espectadores vão a um estádio de futebol à procura de momentos mágicos, de defesas milagrosas e de remates do Além. Mas, em África, o conceito é aplicado de uma forma literal. A magia negra, ou juju, faz parte dos genes do desporto na África subsariana e, apesar de todos os esforços das entidades competentes para a erradicar dos estádios, continua a pairar misteriosamente sobre as bolas de futebol.

Algumas situações estranhas ocorrem, jornada após jornada, em vários jogos de ligas africanas. Há relatos de equipas que se recusaram a entrar em campo pelo túnel de acesso ao relvado porque souberam que o bruxo do clube contrário tinha espalhado sangue de porco no chão que iriam pisar. Para evitar maldições, os jogadores, já equipados, entram pela porta dos espectadores ou saltam os muros do recinto para entrar em campo, ludibriando a magia negra que os adversários espalharam no seu balneário.

Mas há mais registos de evocações de forças sobrenaturais para enfraquecer as pernas dos futebolistas. Algumas das mais usadas são: enterrar a cabeça de uma vaca, de uma galinha ou de um gato em frente à baliza, espalhar as cinzas de animais ou de plantas no terreno de jogo, contratar um bruxo para rogar pragas aos rivais e pendurar um par de luvas ou um amuleto nas redes da baliza para dar protecção ao guarda-redes. “Se for um guarda-redes, deve colocar um dente de elefante dentro da chuteira, para que fique grande e forte. Como é que um jogador pode transpor um homem que é como um elefante?”, disse o sul-africano Freddie Saddam, especialista em futebol africano, ao jornal The Observer .

Em Setembro de 2004, as equipas Simba e Yanga preparavam-se para disputar um jogo decisivo do campeonato da Tanzânia. Antes do desafio, os jogadores do Simba foram apanhados a lançar uma mistura líquida e ovos partidos em redor da área adversária. Em resposta, o Yanga mandou dois dos seus atletas urinar no relvado. O jogo acabou com um empate 2-2, mas ambas as equipas foram multadas em 500 dólares por condutas “inaceitáveis”.

Mais recentemente, no campeonato do Malawi, o jogo entre o Dwangwa United e o Moyale Barracks também ficou manchado pela feitiçaria. A equipa visitante de Moyale apercebeu-se que o médio Winter Mpota, do Dwangwa, estava à espera que toda a gente entrasse em campo para ele ser o último a fazê-lo. Pensando tratar-se de uma bruxaria, o Moyale ordenou ao seu jogador Charles Kamanga para ficar de fora e entrar somente quando Mpota o fizesse. Para surpresa do público, a partida desenrolou-se com dez jogadores para cada lado.

Um atleta de uma das melhores equipas sul-africanas disse à revista African Soccer que o presidente da equipa os obrigou a entrar no autocarro e conduzi-os até à mata. Escavaram um grande buraco na terra, encheram-no com uma poção mágica e obrigaram os jogadores a banharem-se nus na loção divina.

O pior aconteceu em 2008, na República Democrática do Congo, quando 13 pessoas morreram em consequência de desacatos provocados por suspeita de feitiçaria. Tudo terá começado quando o guarda-redes do Nyuki tirou algo por baixo da camisola e a atirou contra as redes da baliza contrária. Os jogadores da equipa do Socozaki responderam com violência e a tragédia abateu-se sobre o estádio.

Não se pense que a feitiçaria só existe em jogos de ligas africanas amadoras ou semi-profissionais. As bruxarias e os enguiços também disputam as maiores competições. Na Taça das Nações Africanas 2002, organizada no Mali, o treinador da selecção dos Camarões, Winfried Schaffer e o seu assistente, foram detidos pela polícia maliana por suspeita de juju. Dois anos antes, nos quartos-de-final da mesma competição, um oficial da Federação nigeriana foi visto a correr em redor do campo para colocar um amuleto nas redes da baliza do Senegal, aos 75 minutos de jogo, numa altura em que os senegaleses batiam os nigerianos por 1-0. Em 15 minutos, a Nigéria deu a volta ao jogo e venceu por 2-1.

Por esta mesma altura, jornalistas senegaleses juram ter visto um marabu (bruxo) a untar os postes da baliza do guarda-redes Tony Silva antes dos jogos. O guarda-redes senegalês esteve 448 minutos sem sofrer golos.

Antes do Mundial de 2006, a Federação Ganesa de Futebol, teve de interditar o acesso ao avião à rainha das feiticeiras da região de Nzemaland, que queria viajar com a equipa de Essien para a Alemanha, a fim de “livrá-los dos espíritos do mal”.

A CAF (Confederation of African Football) tem movido uma intensa guerra contra os bruxos e os marabus que, segundo eles, sujam a imagem de desenvolvimento do futebol africano. “Temos tanta vontade de acabar com a imagem dos bruxos nos jogos como com a dos canibais. A imagem é tudo e isso é de Terceiro Mundo”, disse um porta-voz da CAF. Muitos clubes gastam fortunas nos serviços de feitiçaria. “Até ficam sem dinheiro para viajar nos jogos fora de casa”, diz Oliver Becker, um alemão que fez um documentário sobre o tema, à National Geographic. Os rituais animistas e as crenças tradicionais estão muito enraizadas em certos sectores da população e reflectem-se no futebol. E, mesmo que consigam afastar os feiticeiros dos estádios, eles não receiam cair no desemprego. “Fazemos isto por controle remoto. Colocamos o nome das estrelas das equipas adversárias num tronco de árvore, depois envolvemo-los com uma venda preta para que fiquem tapados e, no dia do jogo, não verão nada”, disse Juma Mohammed Mwanachuwoni, um famoso bruxo queniano a um jornal local.

João Henriques, fotógrafo deste projecto, escolheu algumas das fotografias que retrataram África nos últimos 20 anos. São imagens capturadas por fotógrafos da Magnum e VII, duas das melhores agências do Mundo. Momentos únicos do deserto da Mauritânia, da música do Congo e da convivência entre brancos e negros na África do Sul. Como diz Bruno Barbey, um dos fotógrafos apresentados neste post, a linguagem fotográfica é a única que pode ser compreendida em todo o planeta.

Mauritânia

O deserto de Adrar por Raymond Depardon, Janeiro 1999

Raymond Depardon / Magnum Photos

Raymond Depardon nasceu em França.

Frase sobre a fotografia: “The photographer is filled with doubt. Nothing will soothe him.”

Mais fotos de Depardon: http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspxVP3=ViewBox_VPage&VBID=2K1HZOM4152DO&IT=ZoomImage01_VForm&IID=2S5RYD1POKQD&PN=7&CT=Search

África do Sul

O fim do apartheid, por Ian Berry

Ian Berry / Magnum Photos

Ian Berry nasceu em Inglaterra.

Frase sobre a fotografia: “The great single picture is emotionally satisfying, whereas getting a good journalistic story is more about being a professional.”

Mais fotos de Berry em: http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspxVP3=ViewBox_VPage&VBID=2K1HZOM41L50P&IT=ZoomImage01_VForm&IID=29YL536RP3G&PN=113&CT=Search

Senegal

O Islamismo no Senegal e Mali, em 1988, por Abbas

Abbas / Magnum Photos

Abbas nasceu no Irão.

Frase sobre a fotografia: “My photography is a reflection, which comes to life in action and leads to meditation. Spontaneity – the suspended moment – intervenes during action, in the viewfinder.”

Mais fotos de Abbas: http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspxVP3=ViewBox&VBID=2K1HZSFBDVJO&IT=ThumbImage02_VForm&CT=Story&STID=2S5RYDWCUXNS&RW=1429&RH=768

Marrocos

por Bruno Barbey

Bruno Barbey / Magnum Photos

Bruno Barbey é françês, nascido em Marrocos.

Frase sobre a fotografia: “Photography is the only language that can be understood anywhere in the world.”

Mais fotos de Barbey: http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspxVP3=ViewBox_VPage&VBID=2K1HZOM41L50P&IT=ZoomImage01_VForm&IID=2S5RYDXET8Q&PN=60&CT=Search

Mali

por Steve McCurry

Steve McCurry / Magnum Photos

Steve McCurry nasceu nos Estados Unidos da América, em 1950.

Frase sobre a fotografia: “What is important to my work is the individual picture. I photograph stories on assignment, and of course they have to be put together coherently. But what matters most is that each picture stands on its own, with its own place and feeling.”

Mais fotos de McCurry: http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspxVP3=ViewBox_VPage&VBID=2K1HZOM41TLO4&CT=Search&DT=image

Congo

Retratos de músicos da orquestra sinfónica do Congo, por Marcus Bleasdale

Marcus Bleasdale / VII

Mais fotos de Bleasdale: http://www.viiphoto.com/showstory.php?nID=1032

Ruanda

Ruanda, por Lynsey Addario /VII  2008

Lynsey Addario / VII

Mais fotos de Addario: http://viiphoto.wg.picturemaxx.com/webgate/index.php

Congo

Congo, por James Nachtwey

James Nachtwey / VII

Frase sobre a fotografia: “I have been a witness, and these pictures are my testimony. The events I have recorded should not be forgotten and must not be repeated.”

Mais fotos de Nachtwey: http://www.viiphoto.com/showstory.php?nID=508